Rede Jubileu Sul Américas se manifesta sobre a atual crise sociopolítica da Nicarágua

Por Rede Jubileu Sul / Américas

Expressamos nossa profunda preocupação diante dos terríveis efeitos que a atual crise sociopolítica, que se vive na Nicarágua, está gerando.

Até o mês de julho, mais de 300 pessoas morreram entre estudantes, funcionários públicos, menores e cidadãos em geral, como resultado de ações violentas produzidas a partir de 19 de abril, após o anúncio feito pelo presidente Daniel Ortega sobre a aplicação de reformas no sistema de seguro social, conforme acordado com o Fundo Monetário Internacional.

Além disso, a crescente onda de violência deixou milhares de pessoas feridas física e emocionalmente, aumentaram os níveis de insegurança e o crime organizado, além de arruinar a infraestrutura pública, os meios de comunicação, impedindo a livre circulação, e de destruir dois centros do ensino superior, gerando grandes perdas em termos econômicos.

Condenamos fortemente esta espiral de violência e, em particular, a morte de todos estes cidadãos. Solidarizamo-nos com as vítimas e suas famílias, bem como com o povo nicaraguense como um todo, cuja angústia e dor compartilhamos.

A partir disso, afirmamos:

Rejeitamos todas as formas de violência que vem afetando a vida e a dinâmica do país e de seu povo, que conhece muito bem a devastação de uma guerra nas décadas passadas, onde custou a vida de mais de 50 mil nicaraguenses com consequências ainda muito visíveis em muitas famílias.

Exigimos esclarecimento de cada um dos crimes de ódio, incluindo a identificação e punição dos responsáveis, sejam funcionários públicos, sejam grupos paramilitares, sejam sicários ou quem estejam por trás deles.

Denunciamos a manipulação da mídia que vem causando terror tanto dentro como fora do país. Longe de manter posições ligadas à realidade, os meios empresariais estão desempenhando papéis incendiários, transmitindo matrizes de opiniões baseadas, em muitos casos, em fatos fabricados, até “convertê-los à força em verdade”.

Do mesmo modo, rejeitamos ações a nível parcial, como a promoção em organismos internacionais de resoluções de sanções, que buscam punição contra violações de direitos humanos cometidas contra cidadãos nicaraguenses que foram vítimas do uso das forças policiais. No entanto, relatórios de organizações internacionais concentram até o momento os eventos a partir de uma perspectiva singular, omitindo atos de terror cometidos contra simpatizantes do governo, funcionários de instituições públicas ou sociais, tais como tortura, estupros, assassinatos seletivos entre outros.

Da mesma forma, rejeitamos o intervencionismo liderado pelo governo dos Estados Unidos e apoiado por diversos governos aliados, uma vez que alguns deles chegaram ao poder através de golpes de Estado, sendo responsáveis de múltiplas formas de violações de direitos humanos em seus países, como por exemplo Honduras, Brasil, Colômbia, Argentina, México.

Essas ações têm estimulado e incentivado um cenário de terror que afetou de maneira generalizada a grande maioria da população nicaraguense, perante isso pronunciamo-nos pelo direito à soberania e à autodeterminação da nação irmã.

Com base no que precede, expressamos a necessidade de buscar soluções pacíficas, de estabelecer diretrizes concretas para criar processos de reconstrução baseados na paz com a justiça e a verdade, através de processos de diálogo inclusivos entre o executivo e os diferentes setores representantes da sociedade.

Reiteramos que qualquer saída aos cenários complexos que foram vividos devem tomar como base os processos de esclarecimento dos eventos levantados. Pensar nos processos de reconstrução deve necessariamente passar pela reparação e a não repetição de todas as vítimas, bem como pelo respeito e garantia dos direitos humanos, de forma equitativa para toda a população nicaraguense.

América Latina e Caribe

27 de agosto de 2018

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