No Brasil, organização haitiana avalia que mobilizações que adiaram o segundo turno foi vitória do povo

Por Rogéria Araujo | Jubileu Sul Brasil

logo-USIH-novo-1A União Social dos Haitianos Imigrantes, a USIH, vem acompanhado toda a conjuntura política do Haiti, com as mobilizações populares que fizeram com que o Conselho Eleitoral cancelasse o segundo turno das eleições para presidente do país. Em entrevista à rede Jubileu Sul Brasil, Laurie Jeanty e Fedo Bacourt, integrantes da União, falaram sobre o atual contexto do país caribenho.

Falaram também das ações que precisam ser definidas como prioridades para a reconstrução real do Haiti através de novas tentativas como a decisão tomada na última reunião da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) de enviar uma missão especial ao país.

“Todas estas iniciativas têm que contribuir formalmente para a reconstrução do Haiti e exigir o respeito pela Constituição para fortalecer a democracia. A crise política no Haiti no sistema eleitoral exige reformas/soluções técnicas para alcançar uma solução justa, legítima e imparcial”, afirma a USIH.

À época da reunião de cúpula da Celac, no final de janeiro, organizações de vários países enviaram uma petição para que o caso do Haiti fosse tema de prioridade na reunião de chefe de estados da Comunidade.

Atualmente, o Haiti está com o presidente interino provisório, Jocelerne Privert, que anunciou as novas eleições para antes do dia 14 de maio.

Jubileu Sul Brasil – Para a USIH o que significaram as mobilizações populares com relação às eleições presidenciais no Haiti?

USIH – A mobilização popular direta ou indireta contra o regime político, sem dúvida, representa um dos elementos essenciais que caracterizam este tipo de crise. Mesmo quando, por vezes, estas mobilizações não igualam as reivindicações e lutas em todo o estado há um questionamento real sobre ele.

Milhares de opositores marcharam na capital haitiana contra o presidente Michel Martelly. Eles acusaram o presidente de manipular os resultados preliminares do primeiro turno das eleições presidenciais em 25 de outubro. O povo haitiano se mobilizou contra o que é chamado de golpe de Estado eleitoral. Politicamente a mobilização popular é muito importante para catalisar as mudanças que o povo precisa.

Jubileu Sul Brasil  – À época, o Conselho Eleitoral decidiu por adiar o segundo turno. Pode-se comemorar isto como uma vitória do povo?

USIH – No Haiti, o segundo turno da eleição presidencial deveria ocorrer em 24 de janeiro, mas a votação foi adiada. Para o presidente do Conselho Eleitoral, Pierre Louis Opont, a decisão foi tomada por razões de segurança. O candidato da oposição, Jude Célestin, denunciou fraude e pediu um boicote da votação. A segunda rodada foi adiada duas vezes devido a alegações de fraude na primeira rodada em 25 de outubro.

Diante de toda essa conjuntura, podemos dizer que sim, que foi uma vitória do povo, mesmo que estivessem ocorrendo outros problemas.

Jubileu Sul Brasil – Recentemente foi decidido na cúpula da Celac que será enviada uma missão para averiguar a situação no Haiti. A OEA também se manifestou sobre o assunto e vai acompanhar de perto. Que consequências deveriam resultar destas iniciativas?

USIH – Todas estas iniciativas têm que contribuir formalmente para a reconstrução do Haiti e exigir o respeito pela Constituição para fortalecer a democracia. A crise política no Haiti no sistema eleitoral exige reformas/soluções técnicas para alcançar uma solução justa, legítima e imparcial. O objetivo de tudo isso é para que o Haiti saia dessa crise política com uma solução haitiana apoiada pela Constituição.

Assim, precisamos de apoio técnico a iniciativas-chave regionais de combate à fome, como o Plano de Ação para a Erradicação da Pobreza, o Plano de Segurança Alimentar; precisamos fortalecer os movimentos sociais através do reforço das competências das pessoas-líderes e organizações rurais, de modo que eles sejam capazes de participar na formulação e implementação de políticas públicas de segurança alimentar; precisamos trabalhar com a família e as organizações de agricultores rurais e governos para criar trocas e espaços de comercialização de alimentos de solidariedade.

Nós achamos que estes programas têm que acelerar e aprofundar o progresso na luta contra a fome e que os problemas do país sejam resolvidos porque nós da USIH queremos um Haiti mais próspero e justo.

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