Declaração na Cúpula Anti-imperialista exige soberania financeira dos povos

Com duras críticas aos governos dos Estados Unidos e da Europa, começou nesta quarta-feira, 31 de julho, em Cochabamba, a cúpula de organizações sociais que busca lançar as bases para a criação de um instrumento político internacional e proclamar, como seu líder, o presidente Evo Morales.

Delegados de pelo menos 90 organizações sindicais e sociais de 18 países, a maioria da América Latina, participam do encontro, que debaterá a soberania política, soberania econômica, tratados e convênios internacionais, espionagem e descolonização e soberania territorial.

Organizações do movimento popular e latino-americano, como o Jubileu Sul, também exigem “Reparações e soberania financeira já”, declaração que será apresentada em 1º de agosto à Cúpula Anti-imperialista e Anticolonialista. A entidade afirma que um dos temas especiais que a Cúpula abordará é a da “soberania financeira” e que está segura de que é uma excelente ocasião para destacar a sua importância, perspectiva e demandas gerais de não-pagamento da dívida colonial e ilegítima, reparações e soberania financeira, assim como a chamada para a mobilização durante a Semana Mundial de Ação contra a Dívida, de 08 a 15 de outubro, em particular, e no dia 15 de outubro para o Dia Mundial de não-pagamento e reparação de toda a dívida ilegítima e Colonial.

Sobre a perseguição e prisão recente sofrida pelo Presidente do estado Plurinacional da Bolívia, Evo Morales, no espaço aéreo europeu, o Jubileu Sul disse que tal tratamentoconstitui uma violação flagrante do direito internacional e é uma afronta não só contra o povo boliviano e seu presidente, mas contra todos os povos e países que valorizam a dignidade, respeito pelos outros, a igualdade e a justiça como base da convivência, se não a sobrevivência. “Também é uma forte demonstração de que o sistema capitalista colonial e imperial está ligadoa seus privilégios, não poupando esforços para manter a sua posiçãodominante, destruidora e saqueadora”.

O documento que vai ser difundido na Cúpulaconvoca a união de esforços para conseguir outros avanços, que são os seguintes: a auditoria, os cancelamentos e não-pagamento das dívidasimpostas ilegalmente aos povos; o reconhecimento, a punição, reparaçãoe não repetição dasdívidas acumuladas para com os povos; não assinatura,cancelamento e denúncias dos tratados bilateraise multilaterais de comércio e proteção aos investimentos; não assinatura, cancelamento e fim de tratados, acordos e leisque minam a soberania dos povos; e a desvinculação e fechamento das instituições financeiras e comerciaisinternacionais, como o FMI.

Além disso, durante a Cúpula poderá ser criado um bloco político global, queteria como objetivo fazer frente àdoutrina e ações da Organização do Tratado do Atlântico (OTAN).

O vice-presidente Alvaro Garcia Linera, que foi encarregado da abertura da cúpula para respaldar Morales pelo incindente que sofreu na Europa, em 02 de julho, chamou as organizações sociais presentes a lutar por um mundo sem capitalismo, imperialismo ou colonialismo. “Esta é uma reunião para sonhar com um mundo diferente, este é um encontro que levanta a bandeira da esperança, da unidade de pobres do mundo, uma sociedade que não é capitalista, imperialista, colonialista e onde vivemos tudo com dignidade, fraternidade e harmonia com a Mãe Terra “, manifestou.

 Fonte: Adital