Madeireiros ameaçam de morte comunidade rural no Pará

Por Mateus Ramos – Adital

“São de 10 a 12 carretas, carregadas com madeira retirada ilegalmente das nossas terras, que saem dia e noite”. O relato é de José Ferreira, líder de um movimento de colonos na Comunidade Rural Serra Azul (CRSA) criado para impedir a exploração e comercialização ilegal de madeira da região de Monte Alegre, oeste do estado do Pará.

A disputa entre colonos e madeireiros está acirrada, inclusive com ameaças partindo dos madeireiros contra os colonos. “São 247 famílias num total de 1.237 pessoas amedrontadas por jagunços pagos por madeireiros, colocando terror e ameaçando de morte quem ousar denunciá-los á justiça”, relatou Ferreira.

Revoltados com as ameaças, cerca de 150 pessoas se reuniram no KM 6 da estrada de Monte Alegre para impedir a passagem das carretas que levam as madeiras retiradas de forma ilegal, o que culminou em uma reação dos madeireiros. “Os madeireiros estão armando seus motoristas com armas de fogo e muitas munições para se caso houver resistências dos colonos, avançar sobre a multidão e abrir fogo”, informou Ferreira.

De acordo com o líder do movimento, há inclusive uma recompensa para quem matasse o presidente da Presidente da Associação dos Produtores Rurais Matona Serra Azul, conhecido como Nanam. “A informação que eu tive do Nanam é que estão oferecendo cerca de 130 mil reais para quem o matar”.

Devido a essa situação, a CRSA, através do José Ferreira, escreveu uma carta à SNAS, solicitando apoio urgente para a proteção dos colonos, a fim de evitar um massacre como o registrado em El Dourado dos Carajás. “Já fomos informados que foi enviado para cá uma força-tarefa para nos proteger. Mesmo com medo, vamos continuar impedindo a passagem das carretas, estamos dispostos a derramar nosso sangue”, disse Ferreira.

Em entrevista para Adital, o secretário de Políticas Sociais da Presidência da República, Sr. Paulo Matos informou que repassou a carta enviada à SNAS a todos os órgãos com responsabilidade no assunto. “Assim que recebi essa carta eu enviei as informações para o IBAMA, INCRA, Polícia Federal, Polícia Civil de Santarém, Ministério da Justiça, Orgãos de Direitos humanos etc”.

De acordo com o secretário, um desses contatos até resultou em uma resposta imediata. “Alguns minutos depois que eu enviei essas informações, o diretor nacional de proteção ambiental do IBAMA, Luciano de Meneses, me respondeu por e-mail dizendo que iria agir imediatamente e que havia mandado um e-mail para a CRSA pedindo que eles aguardassem e resistissem até a chegada da ajuda”.