A luta faz a lei!

Os imigrantes que vivem em São Paulo estão se preparando para participar da 6ª Marcha dos Imigrantes, data comemorada em 18 de dezembro, Dia Mundial dos Imigrantes e XXII aniversário da Convenção da ONU sobre os Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e de suas Famílias, em sintonia com a o Dia de Ação Global Contra o Racismo, a Xenofobia, pelos Direitos dos Migrantes e Refugiados.

Nesse dia 2 de dezembro de 2012, todos os imigrantes do Brasil são conclamados a irem às ruas, com suas bandeiras e vozes para derrubar todos os muros que tiram o direito de ir e vir das pessoas e conquistar de fato uma cidadania universal, com acesso a todos os direitos, inclusive, no Brasil, o direito de votar e de ser eleito. Aqui vivo, aqui voto!

Há também a urgente necessidade de fortalecer a participação ativa das mulheres e dos jovens no processo de construção de políticas para as pessoas imigrantes, de combate ao tráfico de mulheres e crianças para exploração sexual ou laboral.

Com o aumento da exploração e da precarização das condições de trabalho os imigrantes, neste ano, em São Paulo, vêm gritar por trabalho decente e cidadania universal, mirando a integração global dos povos.

Nesta edição também destacamos os direitos de saúde, Cartão SUS. Este cartão dá ao imigrante a possibilidade de se sentir incluído no programa de prevenção de doenças e também de tratamento das enfermidades gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. Saiba como conseguir esta tão importante via de acesso à saúde.

‘Nenhum direito a menos para os imigrantes!’

Serviço Pastoral do Migrantes – Centro Pastoral do Migrante – Centro de Apoio ao Migrante

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Leia também:

Protagonismo dos migrantes e função das migrações

(Agentes, protagonistas e profetas de um mundo novo possível, necessário e urgente)

Por Pe. Mário Geremia CS,

Coordenador do Centro Pastoral do Migrante

ANUNCIAM

Um mundo novo possível, urgente e necessário, uma nova forma de organização social, política e econômica, com bases na justiça, na liberdade e na solidariedade, aonde sejam distribuídos de forma igual os frutos do trabalho e da riqueza da criação.

Uma cidadania universal e globalizada a onde a tecnologia esteja ao serviço da vida, e que a única casa comum (O planeta terra-água) seja tratado com respeito, cuidado com carinho e administrado com responsabilidade. Em fim anunciam uma globalização integral e integradora.

DENUNCIAM

Um falso sistema sociopolítico e econômico, a destruição da casa comum, a injusta distribuição da riqueza, uma globalização unilateral e perversa.

Idolatrias e fundamentalismos nos campos científicos e religiosos.

O Latifúndio e monopólio dos MCS e da tecnologia, causando violência, exclusão e morte.

Para problemas humanos soluções humanas.

As migrações revelam e denunciam ao mesmo tempo uma sociedade FRAGMENTADA, CONFRONTADA E DIVIDIDA, aonde o DESESPERO E A NECESSIDADE causa muitas vítimas e muitas mortes, muito sofrimento e muitas feridas nas pessoas que são obrigadas a emigrar.

ALGUNS POSSÍVEIS DESAFIOS:

A acolhida, resgate cultural, o resgate da cidadania, a presença em três momentos (origem-trânsito-destino), diálogo com o diferente numa relação inter-cultural, trabalhar as consciências no cultivo da sensibilidade e solidariedade, denunciar as causas injustiças da miséria, fome, opressão, da migração forçada, da concentração de renda, fortalecer e anunciar as causas justas, positivas, do resgate da vida, da organização, da fé comprometida, na defesa da pessoa, construindo comunidades e transformando a sociedade, incidir politicamente para leis em favor da vida dos migrantes e para políticas publicas ao serviço dos excluídos.

Como criar e recriar novas estruturas sociais e eclesiais possibilitando espaços de solidariedade e de gratuidade para os migrantes, dignificando as relações e as pessoas?

RESPOSTAS DE AÇÕES CONCRETAS NO CAMPO DAS MIGRAÇÕES E JUNTO COM AS PESSOAS MIGRANTES

Acolhida e Assistência nas emergências (Casas de acolhida, Pastorais, Centros de Atendimento, Orientação e Apoio ao migrante, Centros Stela Maris em Portos)

* Sensibilização social e incidência política (Políticas publica, e de migrações, leis mas humanas, desburocratização legal, combate às causas injustas da migração forçada, Defesa dos DD.HH. dos migrantes…) Nesta dimensão os Centros de Estudos Migratórios e a academia são fundamentais.

* Promoção humana, cultural e acompanhamento religioso. (conservar as identidades, promover a integração, manter e fortalecer os valores culturais e conservar a fé, celebrar a vida e trabalhar sempre em defesa da cidadania universal, motivar o trabalho e a presença de profissionais ao serviço da vida e na defesa dos Direitos Humanos dos migrantes.

* Articulação e formação de redes somando forças com os vários segmentos da sociedade para atacar as causas injustas das migrações forçadas, aliviando o sofrimento nas consequências negativas, fortalecendo e afirmando as consequências positivas das migrações e propondo alternativas possíveis de solução.

Tudo isso deve ser feito sempre em vista da ORGANIZAÇÃO E PARTICICPAÇÃO dos migrantes em processos permanentes de transformação da sociedade, de construção de novas comunidades e de compromisso pessoal com a vida e as vítimas da historia.

LA MARCHA

“…Las grandes migraciones humanas a la vez reflejan y provocan, los cambios sociales más profundos; los migrantes en marcha no son solo víctimas de un orden social mundial excluyente, pero también artífices, protagonistas, profetas… de un orden nuevo, justo y solidario. La marcha sigue, cargada de contradicciones: al mismo tiempo que denuncian la falta de ciudadanía de millones de personas en todo el mundo, anuncian el sueño de una patria universal; el migrante rompe y borra todas las fronteras, en búsqueda de un mundo de hermanos, signo y anticipación de un mundo nuevo posible” (Alfredo Gonçalves)

Ser estrangeiro é perder o equilíbrio sobre a terra, por isso que para a Igreja ninguém deve sentir-se estrangeiro porque migrar não é um delito, delito é o que causa a migração forçada e por isso cremos em todo nosso trabalho que o sonho não tem fronteiras e confirmamos que: “PARA O MIGRANTE PÁTRIA É A TERRA QUE LHE DÁ O PÃO”. (João Batista Scalabrini, Pai e Apóstolo dos Migrantes).

[Fonte: Nosotros imigrantes – Ano II – Edição Número 8 – Outubro/Novembro 2012]