Mulheres imigrantes que vivem em São Paulo falam sobre suas realidades durante oficina sobre Cartografia Social

Por Rogéria Araújo | Comunicação Jubileu Sul Brail 

Documentação, sistema de saúde, emprego, transporte, moradia, idioma, a burocracia das esferas públicas brasileiras lidam com a questão migratória no Brasil. Essas foram algumas das dificuldades apontadas durante a oficina sobre Cartografia Social realizada com as Mulheres Imigrantes no Brasil, ocorrida no último dia 15 de abril, do Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo. A atividade foi uma realização do projeto “Nós, mulheres, na defesa e na luta por direitos” em parceria com a equipe de Base Warmis-Convergência das Culturas. Na próxima quarta-feira, dia 18 de abril, às 19hs a oficina terá continuidade.

O encontro reuniu mulheres imigrantes e refugiadas, entre elas estavam chilenas, congolesas, bolivianas, venezuelanas e catalãs. No geral, as participantes ainda não conheciam o método da cartografia e se mostraram bem interessadas e participativas.

A cartografia social privilegia a escuta e reconstrução das histórias e caminhos a partir de cada uma das participantes. Momento de grande troca de saberes, afeto, acolhimento, de partilha das alegrias e das dores, da saudade das origens. O momento serviu para trazer e partilhar as dificuldades e estranhamento quando chegam ao Brasil. Assim, o primeiro exercício proposto durante a oficina, foi que elas fizessem a cartografia social de suas vidas. Durante as partilhas das histórias, foi possível perceber pontos comuns e dificuldades que tiveram, e ainda têm, para permanecer no país com seus direitos garantidos. Os relatos também perpassaram pelo problema com a discriminação, a xenofobia com o diferente.

De acordo com a coordenadora do projeto, Cinthia Oliveira, a Cartografia Social será importante para as mulheres imigrantes porque “será um espaço de reconstrução das identidades, de encontro das culturas, de saberes. Foi um primeiro momento de troca, de encontro e de olhar a outra como companheira de caminhada, e um momento onde as mulheres foram tratadas como protagonistas, sujeitos, dando voz e vez a narrativa das próprias imigrante, sem intermediários”

O projeto “Nós, mulheres, na defesa e na luta por direitos” ocorre nos territórios de Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, São Paulo e São José dos Campos e tem por objetivo realizar um ciclo de formação e articulação das mulheres nos territórios ao longo de um ano. O projeto é uma realização da rede Jubileu Sul Brasil com apoio do Instituto Irmãs da Santa Cruz, Adveniat, Cafod e DKA.