Ilisiane Alves, do Coletivo de Mulheres da Rede, disputa eleição para Conselho de Saúde em Porto Alegre (RS)

As eleições em Porto Alegre (RS), acontecem na próxima segunda-feira, 16, nas próprias unidades de saúde em horário de atendimento

Por Karla Maria | Rede Jubileu Sul

A gaúcha Ilisiane Vida Alves, 39 anos, é uma mulher forte. Vive na Vila Nossa Senhora Aparecida, no Bairro Sarandi, zona norte de Porto Alegre (RS), e busca melhores condições de vida para sua comunidade. Sempre foi assim. É mãe de Milton, William, Ingrid, Iago, Igor, Jasmine e Itan, uma escadinha que vai dos três aos 23 anos de idade. Os sete filhos cuidados com amor, sem o apoio dos pais.

Ilisiane em encontro do Coletivo de Mulheres da Rede Jubileu Sul Brasil, em São Paulo (SP) | Foto Comunicação da Rede Jubileu Sul

Ela como ninguém sabe da importância de um posto de saúde acessível à população, com enfermeiras, médicos e procedimentos básicos. Sabe também a importância de ter um pediatra para acudir nas horas de febre. Ilisiane tem uma longa caminhada de luta em solidariedade aos migrantes e ao povo haitiano, em especial aos que viviam na Ocupação Progresso e foram despejados depois de quatro anos pela especulação imobiliária.

Luta, firmeza e solidariedade são palavras que ilustram bem a gaúcha e sua caminhada. Ela é membro do Coletivo de Mulheres da Rede Jubileu Sul Brasil e está na disputa eleitoral pela coordenação do Conselho Local de Saúde Nossa Senhora Aparecida, em Porto Alegre. “Queremos conscientizar as pessoas de que elas têm direito à saúde e é preciso nos mobilizar para isso”.

Ela não está sozinha. Faz parte da chapa 01, cujos integrantes são Daiane da Silva Gonçalves, Daniele Barbosa Ramos, Rafael e William Vida Alves. As eleições acontecem no próximo dia 16 de setembro, das 8h às 12h e das 13h30h às 16h, na própria unidade de Saúde Nossa Senhora Aparecida, no Beco José Paris, 235, também em Sarandi.

O voto não é obrigatório, mas todos são convidados a participar desse momento de eleger quem vai ficar de olho no funcionamento das unidades de saúde dos bairros da capital gaúcha. Para votar é preciso ter no mínimo 16 anos de idade. Precisa ser trabalhador da área da saúde, coordenador da Unidade de Saúde Nossa Senhora Aparecida ou morador na região atendida por ela. Na hora do voto é preciso levar um documento com foto.

Confira a carta de pretensão da Chapa 01 para o Conselho Local da Unidade de Saúde Nossa Senhora Aparecida

Nós nos desafiamos, como moradores, usuários e trabalhadores da saúde a concorrer a esta eleição por acreditarmos que juntos somos mais fortes. Precisamos estar preocupados e atuantes com os decorrentes problemas e falta de estrutura da saúde pública em nosso bairro. Com participação, conhecimento e empoderamento podemos planejar e atuar para melhorar a atividade da nossa Unidade de Saúde.

Vamos agir de forma coletiva, sempre tendo a escuta e a consulta, a opinião de funcionários e usuários como metodologia de trabalho.

O SUS é nosso, o SUS é do povo, temos que defendê-lo!

Propostas de melhoria

  1. Reivindicar mais trabalhadores para a Unidade de Saúde

Devido ao aumento de mais de três mil usuários, oriundos dos apartamentos da Construtora Tenda, localizado na Av. Francisco Silveira Bitencourt, 1.845, tivemos uma superlotação da nossa unidade. Sabemos que o prefeito Marchezan Junior quer fechar unidades básicas de saúde, mas não podemos permitir, temos que lutar pela manutenção das que já existem e pela melhora da nossa unidade.

  • Solicitar a volta de distribuição de medicamentos, tais como antibióticos, dentre outros, para doenças crônicas.

É absurdo o fato de esses medicamentos terem tido sua distribuição cancelada na nossa unidade. Sabemos os custos do nosso deslocamento e que muitos não têm condição de arcar. Não podemos ficar sem medicamentos!

  • Nosso solo está contaminado! Isso prejudica nossa saúde, é preciso ter a clara dimensão do problema.

Queremos avaliar com perspicácia a questão do solo contaminado, por cobalto e manganês, que foi apontado por laudo do Ministério Público no caso do despejo da ocupação Progresso. Se houve crime ambiental e nossa saúde está sendo prejudicada devemos lutar por reparações e contrapartidas à saúde pública.

  • Temos dezenas de famílias que moram precariamente, há mais de 40 anos, em área de preservação permanente. Uma área totalmente poluída que sofre com enchentes, falta de saneamento básico, equipamentos públicos e infraestrutura urbana (calçada, esgoto, pavimentação). Toda infraestrutura que existe ali foi construída pelos próprios moradores. Sabemos que as principais doenças são causadas pelas más condições de habitabilidade das famílias e queremos lutar, também, por melhores condições de vida no nosso bairro. Uma moradia digna é saúde garantida!

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