Movimentos querem ampliar campanha pela retirada das tropas da Minustah no Haiti

Cristina Fontenele, Adital

A rede Jubileu Sul Brasil e Jubileu Sul/Américas, em conjunto com organizações do Brasil e movimentos do Haiti, realizam nesta quinta-feira, 12 de março, uma reunião para fortalecer a Campanha de Solidariedade ao Haiti. O encontro acontecerá no auditório da Cáritas Brasileira, em Brasília (Distrito Federal), com o objetivo de construir uma proposta brasileira de Campanha e Jornada de Luta em favor da soberania do Haiti, país que sofre, há 10 anos, com a ocupação da Missão de Estabilização da ONU (Minustah).

Em entrevista à Adital, Rosilene Wansetto, da Rede Jubileu Sul Brasil, comenta que a proposta da reunião é construir uma agenda coletiva dentro da “Campanha de Solidariedade – 10 anos de ocupação. Basta!”. O encontra visa a escutar e pensar junto com os movimentos sociais formas de ajudar na reconstrução do Haiti e pressionar pela retirada das tropas da Minustah. “Entendemos que a Minustah é uma ocupação militar disfarçada de missão de paz. Queremos pensar uma corrente de solidariedade que denuncie o que ocorre no Haiti e também anuncie as coisas boas que vêm acontecendo por lá. A ideia é pensar uma incidência política, envolvendo o Congresso Nacional, Itamaraty e o Ministério da Defesa, para que o governo brasileiro retire suas tropas, a exemplo do que já vem sendo pensado na Argentina.”, afirma.

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Para os movimentos sociais, a Minustah é uma ocupação militar disfarçada de missão de paz.

Para a reunião foram convidados movimentos e pastorais que, de alguma forma, tem atuação dentro do Haiti. Da Igreja irão participar instituições como a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), a Cáritas Brasileira, a Comissão de Mobilidade Humana e a Pastoral dos Migrantes. A Rede Jubileu Sul/Américas mantém interlocução também com organizações haitianas, como a PAPDA (Plataforma Haitiana pelo Desenvolvimento Alternativo do Haiti), Batay Ouvriye e SOFA (Status of Forces Agreement).

O encontro pretende ainda fomentar o diálogo e ouvir experiências de quem está no dia a dia desse enfrentamento. A Pastoral dos Migrantes, por exemplo, atende a muitos migrantes haitianos que têm vindo morar no Brasil em busca de melhores oportunidades.

Segundo Rosilene, a proposta é que a campanha se propague para outras cidades brasileiras, convocando reuniões no Rio de Janeiro, São Paulo e em outras regiões. Além disso, a iniciativa deve fomentar o debate em outros países, como o Peru, Equador, Argentina e Uruguai, pressionando pela não renovação da permanência da Minustah, o que ocorre no mês de outubro de cada ano. Rosilene destaca que essa força-tarefa pela não renovação é um trabalho que vem crescendo em diversos países, a exemplo da Argentina.

Sobre a participação brasileira, que lidera as ações da Minustah, a ativista destaca que o Brasil está com uma visão completamente equivocada. “Nenhuma nação merece ter a presença militar estrangeira decidindo os rumos de um país. É preciso devolver a soberania ao povo, apoiar a autodeterminação. Como pode o Brasil, que tem uma história de respeito aos povos e à soberania dos países, se permitir a condução de uma ocupação militar? O país não deveria ter entrado na missão”. Para ela, está mais do que na hora das tropas se retirarem e os investimentos para a manutenção dessa ocupação sejam transferidos para ações efetivas de reconstrução do país.

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Em diversos países vem crescendo uma força-tarefa pela não renovação da permanência da Minustah no Haiti.

Em diversos países vem crescendo uma força-tarefa pela não renovação da permanência da Minustah no Haiti.

De acordo com Rosilene, o Haiti é considerado um campo de treinamento para militares, que, antes de irem para a missão, passam por treinamento nas favelas brasileiras. “Isto é uma forma de militarização do Brasil, o que tem se refletido em ações políticas e militares nas favelas brasileiras. Assim, percebemos o aumento da violência e a violação aos direitos humanos em nosso país”.

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