Teto dos Gastos: Coalizão pelo fim da Emenda 95 lança apelo público direcionado ao STF

A Coalizão pelo fim da Emenda 95, que a Rede Jubileu Sul Brasil faz parte e reúne 192 organizações e redes de sociedade civil, Conselhos Nacionais de Direitos, entidades sindicais e instituições acadêmicas das várias áreas sociais, lança um Apelo Público aos Ministros e Ministras do Supremo Tribunal Federal pedindo o fim da EC 95/2016, conhecido como Teto dos Gastos.


Protocolado no STF no último dia 7 de maio, o documento analisa a perspectiva de recessão econômica brutal no cenário de pós-pandemia de COVID 19 e traz ainda traz relatos de casos de violação de direitos de indivíduos e coletivos, que revelam o imenso sofrimento gerado à população em decorrência da combinação do desmantelamento das políticas sociais e a crise econômica agravada pela pandemia.


O documento será ainda enviado à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA).


Histórico
Conhecida como ‘Teto de Gastos’, a Emenda Constitucional 95 foi aprovada pelo Congresso Nacional em dezembro de 2016, durante o governo de Michel Temer, e é considerada pela ONU a medida econômica mais drástica contra direitos sociais do planeta ao acarretar cortes de gastos sociais e ambientais.


Devido aos seus efeitos drásticos a população, a Emenda é objeto das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI) 5633, 5643, 5655, 5658, 5715 e 5743 que solicitam seu fim imediato pelo Supremo Tribunal Federal. Todas essas ADIs foram distribuídas à Ministra Rosa Weber.


Estudos desenvolvidos pela Plataforma DHESCA pelo Ines, pela Oxfam, Centro para os Direitos Econômicos e Sociais; e também pelo IPEA, entre outros, vêm demonstrando o profundo impacto da Emenda em várias áreas sociais, acarretando grandes retrocessos na garantia de direitos.


Em agosto de 2018, sete relatores da ONU lançaram pronunciamento internacional conjunto denunciando os efeitos sociais da Emenda Constitucional 95 e o fato do Brasil ser o único país do mundo a ter constitucionalizado a austeridade como política econômica de longo prazo.


Ainda em 2018, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos realizou, depois de mais de duas décadas, uma visita ao Brasil para averiguar a situação dos direitos humanos. O relatório preliminar da CIDH manifestou grande preocupação com o fato de o país ter uma política fiscal que desconhece “o princípio de progressividade e não regressividade em matéria de direitos econômicos, sociais e ambientais”.

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